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06/08/2017

Espasticidade

1. O que é a espasticidade?
A espasticidade é um aumento do tono muscular, percebido pelo paciente ou pelo cuidador como uma rigidez da musculatura e identificado pelo médico como um aumento da resistência muscular à movimentação passiva do membro (dependente da velocidade do estímulo feito pelo médico).

2. Em que situações a espasticidade se desenvolve?
A espasticidade pode se desenvolver em diversas doenças neurológicas como no AVC, no traumatismo cranioencefálico, traumatismo raquimedular, esclerose múltipla, entre outras.

3. Qual a importância da espasticidade?
A importância da espasticidade se deve ao fato de que ela; junto à fraqueza muscular e à perda do controle seletivo dos movimentos, pode contribuir para a perda de função (por ex: a capacidade da mão de pegar um objeto, a capacidade de uma perna ajudar no ato de andar) para o surgimento de dor e deformidades nos membros.

4. Como a espasticidade é tratada?
O tratamento da espasticidade envolve, assim como os outros elementos a ela associados (fraqueza muscular, perda do controle seletivo dos movimentos), a participação de uma equipe multidisciplinar. Essa equipe envolve a participação do neurologista em conjunto com outros profissionais de saúde (veja o artigo “Reabilitação em neurologia”) com o estabelecimento de um plano de tratamento integrado. O uso de medicamentos, incluindo aplicações de toxina botulínica, pode ser indicado.

5. Há medicamentos orais indicados para o tratamento da espasticidade?
Quando a espasticidade está influenciando na perda de função, no surgimento de dor, de deformidades ou mesmo esteja atrapalhando nos cuidados prestados pela família, deve-se considerar o seu tratamento medicamentoso, mesmo assim associado ao trabalho da equipe multidisciplinar. Medicamentos orais diversos que atuam no tono muscular podem ser usados, no entanto seu efeito costuma ser modesto e os efeitos colaterais, geralmente relacionados à sonolência, são comuns. Mesmo assim eles podem ser úteis em casos selecionados.

6. Qual o papel da toxina botulínica no tratamento da espasticidade?
Novamente deve-se considerar o tratamento medicamentoso da espasticidade quando ela influencia na perda de função, no surgimento de dor, no surgimento de deformidades ou quando determina aumento do desgaste do cuidador, mesmo assim dentro de um programa de reabilitação com uma equipe multidisciplinar. A toxina botulínica é um medicamento que atua de forma localizada na musculatura na qual é aplicada e devido a esse efeito local ela é considerada um tratamento de primeira linha para essa condição (maior eficácia no controle do tono muscular e menor incidência de efeitos colaterais).

7. Há outros tratamentos para a espasticidade?
Como medida auxiliar para o correto posicionamento do membro fraco e espástico o uso de órteses pode ser indicado. As órteses são dispositivos externos que acoplados a um membro permitem imobilizar ou auxiliar o movimento.

Como tratamento da espasticidade refratária ou de suas consequências a cirurgia na coluna para interrupção do impulso nervoso anormal (rizotomia) e a instalação de bomba de baclofeno, entre outros procedimentos, pode ser indicada.

Autoria: Dr. Márcio Alexandre Pena Pereira