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03/08/2017

Toxina botulínica na neurologia

Escutamos muito sobre potenciais benefícios da toxina botulínica em doenças neurológicas. Atualmente ela está indicada como uma das melhores opções terapêuticas para o tratamento das distonias, espasticidade, blefaroespasmo e do espasmo hemifacial. Recentemente comprovou-se também um bom efeito nos casos crônicos de cefaleia (dor de cabeça).

Ainda pode ser aplicada em outras especialidades, para tratamento de estrabismo, hiperidrose, bexiga neurogênica e tratamentos estéticos. Para um bom resultado é importante conhecer sua ação e indicações e estar sob supervisão de um médico experiente no assunto.

1) A toxina botulínica é mesmo uma toxina?
Sim. Ela é uma substância obtida a partir da purificação de um complexo proteico de uma bactéria, o Clostridium botulinum. Existem vários tipos diferentes de toxina botulínica, sendo o subtipo A o mais utilizado e o único disponível no nosso país.

2) Todos os tipos de toxina botulínica são iguais?
Não. Elas são diferentes em termo de potência, duração do efeito e indicações. No Brasil encontram-se disponíveis 4 marcas diferentes da medicação, sendo que seu neurologista deve indicar qual é apropriada para seu caso.

3) Como funciona a toxina botulínica?
Ela age bloqueando uma substância chamada acetilcolina. A acetilcolina é responsável por ativar a contração muscular, dessa forma, de maneira seletiva, diminuímos a força de contração dos músculos escolhidos. Nos casos de espasticidade ela age diminuindo a rigidez muscular através da diminuição da força de contração desse músculo em questão. Já nos casos de distonia, age diminuindo o movimento anormal (contrações) do(s) músculo(s) envolvido(s) na doença.

4) Como são feitas as aplicações de toxina botulínica?
Usamos injeções intramusculares realizadas nos pontos escolhidos pelo neurologista, após minuciosa avaliação clínica. Apesar de parecer um procedimento simples, para que se tenha sucesso é necessária uma avaliação cuidadosa a fim de se escolher os pontos corretos.

5) O procedimento é muito doloroso?
Não. Normalmente as injeções são muito bem toleradas, gerando apenas um leve desconforto. Casos especiais podem ser feitos utilizando pomada anestésica ou sedação.

6) Como são os efeitos da toxina botulínica nas doenças neurológicas?
Normalmente o efeito inicia cerca de 72 a 96 horas após a aplicação e aumenta gradualmente, chegando no efeito máximo por volta de 20 dias.

7) O efeito é permanente?
Não. Varia em cada paciente, porém espera-se uma duração média de cerca de 3 a 6 meses, podendo haver variações pessoais.

8) Quando acaba o efeito desejado, pode-se realizar uma nova aplicação?
Sim. O ideal é programar uma nova aplicação após um período mínimo de 3 meses, não existindo período máximo.

9) Quais são os principais efeitos colaterais da medicação?
Os efeitos colaterais são raros e pouco frequentes. Escolher um médico com experiência no assunto minimiza a ocorrência desses problemas eventuais. Podem ocorrer vermelhidão, pequenos hematomas no sítio da aplicação e em casos mais raros fraqueza muscular ou dificuldade para deglutir.

10) O tratamento com toxina botulínica está indicado para todos os pacientes com distonia, espasticidade, espasmo facial, blefaroespasmo e cefaléia crônica?
Uma avaliação minuciosa e a indicação correta do tratamento são pontos chaves para se obter sucesso e para se evitar efeitos colaterais.

11) Quais são as principais contra-indicações?
Todos os casos devem ser analisados individualmente, porém as principais contra-indicações são: gestação, amamentação, uso de alguns tipos de antibióticos e presença concomitante de doenças neuromusculares.

12) Como está regulamentado o uso da toxina botulínica na neurologia no nosso país?
Dentre as doenças neurológicas a Anvisa autoriza o tratamento da espasticidade, distonias, blefaroespasmo, espasmo hemifacial e cefaleia. Todas essas doenças, exceto a cefaleia, estão autorizadas pelo SUS e convênios médicos.

Autora: Dra. Carolina Pinto de Souza